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Três informações


-O DVD de Chitãozinho e Xororó ao lado das duplas da nova geração, anunciado anteriormente para a primeira quinzena de novembro, tem lançamento confirmado para o dia 30 desse mês. O outro DVD, “Entre Amigos”, ainda não tem data para ser lançado. O programa especial sobre a carreira deles, produzido pela Record e encenado por atores da emissora, está com exibição confirmada para o final do ano.

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-Hoje, terça-feira, no Rio, acontece a primeira edição do “Prêmio Música Digital”. A premiação tem o intuito de exaltar o crescimento da música digital no país, aquela consumida legalmente via internet. Quatro sertanejos estão na disputa de pelo menos uma categoria. São eles: Victor e Leo, Jorge e Mateus, João Bosco e Vinícius e Luan Santana. A BAND exibirá o evento no próximo dia 27, a partir das 21h. Para ver a lista de concorrentes, clique aqui, entre na opção “Prêmio Música Digital” e depois em “Premiação”.

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-Peço desculpas pela ausência de atualizações durante o dia de ontem e a manhã de hoje. Ontem passei o dia quase todo em função do show do Paul McCartney, no Morumbi, e uma gripe daquelas resolveu dar as caras. Hoje volta tudo ao normal, assim espero.

Perguntas e respostas #3


Mais uma série de perguntas enviadas pelos leitores, via email, twitter ou comentário.

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A dupla Guto e Nando está separada?

Sim, desde o meio do ano. O Guto está fazendo carreira solo, e o Nando, segundo ele mesmo, está mais focado em composições e resolvendo algumas pendências contratuais.

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A dulpa Santiago e Querubim se separou?

Na verdade, o Santiago original saiu e entrou outro no lugar. O nome da dupla continua existindo. Em suma, mais um capítulo pra novela artistas x empresários.

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Porque Edson e Hudson se separaram?

Por quase tudo que já se falou por aí. A participação deles no especial do Roberto Carlos não está certa. Quem confirmou a participação anteontem, via Twitter, foi o Bruno, parceiro do Marrone. É a primeira vez que a dupla se apresenta no especial de fim de ano do Roberto Carlos.

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Qual dupla mais vendeu discos?

Chitãozinho e Xororó passaram dos 35 milhões, Zezé di Camargo e Luciano, dos 30 milhões. Em uma entrevista do Zezé, recentemente, ele comentou que tinha a discografia mais vendida do Brasil depois do Roberto Carlos. Pelos números que eu tenho, Chitão e Xororó estão um pouco a frente.

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Quem vendeu mais da nova geração?

Somando CD’s e DVD’s, Victor e Leo passaram dos 2 milhões. A marca foi anunciada na semana passada. Os números podem ser conferidos no site deles.

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É verdade que pra um artista se apresentar no Faustão, tem que pagar R$ 45 mil, e tem até nota fiscal?

Não.

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Você acha que o Sorocaba vai passar o Victor na lista do ECAD?

No primeiro semestre do ano que vem, vão ser lançados os CD/DVD do Fernando e Sorocaba, do Luan Santana e do Henrique e Diego, além do CD da Thaeme Marioto. Todos os trabalhos com várias composições do Sorocaba. Por outro lado, o CD novo do Victor e Leo já passou das 100 mil cópias vendidas. Se for pra dar palpite, eu acho que ele passa sim. Vale lembrar que no primeiro trimestre do ano tem carnaval, o que pode fazer com que algum nome não-sertanejo apareça forte.

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Como envio minhas músicas para as duplas mais famosas?

O Twitter é uma boa. Conversar com os artistas não é muito fácil, mas com os empresários das duplas, é. A grande maioria escuta quase tudo o que recebe, não há tanta panelinha como existia no passado. Nesse CD “Alucinação”, do Leonardo, tem uma música chamada “Quero te amar”, que é de um compositor novo, Éder Brandão. Ele enviou a música pro escritório do Leonardo, o Leonardo ouviu, gostou e gravou.

por Renato Teixeira


Foi publicado, hoje, um texto do Renato Teixeira no site de Victor e Leo.

O objetivo do texto é falar sobre o novo CD da dupla, “Boa Sorte Para Você”, mas resolvi publicar aqui por causa do que o Renato fala e deixa transparecer sobre música sertaneja, definindo muito bem o que tanta gente pensa.

Os negritos são por minha conta.

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por Renato Teixeira

Como é bom ouvir uma canção capaz de deixar a gente feliz. Limpa, clara e direta. Para ouvir no carro pelas estradas, numa manhã de domingo. Victor e Leo são artistas para grandes eventos, para lotar ginásios e fazer a festa.

Mas, também, são maravilhosos e poderosos artistas do rádio.

Dizem que “houve” uma era do rádio. Errado; a era do rádio é agora e sempre. É pelo radio que vem a consagração.

O cd “Boa Sorte Pra Você” traz essa proposta radiofônica, que é a base de tudo. É daí que vem a popularidade. É daí que as canções disparam pelo ar caçando ouvintes. O radio é o espírito da coisa.

A arregimentação, os arranjos e a própria vocalização de “Boa Sorte Pra Você” nos levam com gentileza e elegância e não nos confundem. A moçada se entrega completamente e os shows de Victor e Leo são sempre celebrações em torno das canções de felicidade. Tudo leve e solto, sem lenço e sem documento.

Tudo começou bem lá atrás, nos tempos de Cornélio Pires que foi quem inventou o personagem que fala errado e canta modas de viola. Ele percebeu o jeito diferenciado de ser do caipira e “radiofonizou” suas historias simples. A idéia era divertir as pessoas, alegrar o ambiente. A dupla surge em função da viola ponteada que precisava de um violão para deixar mais redondo. O músico do violão, já que estava ali mesmo, começou a fazer um contracantozinho aqui, outro lá e a coisa foi se ajeitando até o formato Tonico e Tinoco, um verdadeiro achado musical. Um formato essencialmente brasileiro.

No final dos anos sessenta, começo dos setenta com a grande transformação cultural do planeta, o caipirismo cumpriu seu ciclo de vida ativa e desapareceu.

Apesar de tudo, as músicas que eles fizeram continuaram agradando. Sérgio Reis, com “Menino da Porteira”, Chitãozinho e Xororó,com “Rancho Fundo” e Ellis, consagrando “Romaria”, uma nova proposta para a retomada do gênero, mostraram que, na verdade, a música da cultura caipira não estava morta; apenas se rearticulava, se repaginava e influenciava artistas preocupados em achar uma nova expressão musical fundamentada nos valores caipiras, sem dúvida um caminho mais difícil do que montar uma banda de rock and roll.

Com a chegada de Chitãozinho e Xororó, a popularidade do gênero se manifesta com todo o esplendor da sua história. Sempre fora assim. Em 69, por exemplo, quando Tonico e Tinoco anunciaram que iriam se apresentar num circo em São Miguel Paulista, a polícia teve que intervir na estação da Luz para conter a multidão que queria ir de trem.

Agora, relida e repaginada a música dos caipiras voltava à cena. Seria ingenuidade pensarmos que essa retomada seria possível utilizando apenas formatos antigos.
Fizeram uma espécie de antropofagia histórica, preservando a idéia da dupla e o costume de cantar para fazer a gente nunca esquecer quem é e somaram a isso a linguagem contemporânea que se pratica. Tudo simples e prático.

Foi assim que o eixo da música brasileira, que sempre girou no litoral, começou também a girar no interior e outra realidade apareceu.

O movimento que ficou conhecido como sertanejo conquistou o mercado e se igualou a outros altamente populares, como a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo. Todos nascidos de partos difíceis, é bom não esquecer.

Esses “movimentos” são momentos mágicos, onde o mercado escolhe os artistas capazes de reunir em torno de si o maior número de seguidores possíveis. Assim, o sertanejo se estabeleceu.

Na seqüência dessa tendência outras duplas vieram e muitas outras virão. Num futuro muito próximo os nossos artistas diferenciados, aqueles que passarão para a história ao lado de Noel, Chico e Tom Jobim, não terão mais que, necessariamente, vir do samba. A música do Brasil central, agora é uma opção clara, uma influência saudável de um interior articulado e, à sua maneira, cosmopolita.

Victor e Leo, cientes desse processo, se prepararam para o sucesso nas casas de shows especializadas e puderam vivenciar um contato direto com um público de grande influência no comportamento nacional.

Beleza, juventude e vozes bonitas, que não agridem e penetram em espirais delicados em nossos ouvidos. Ouvindo Victor e Leo ninguém se sente abandonado nem constrangido porque a sensação é boa para todos.

Nada é feio.

O som das vozes exatas tem a precisão de Vieira e Vieirinha e os vibratos, em determinados momentos, soam como soavam os maravilhosos vibratos do trio Irakitan.

Percebo também um certo “espírito de Gonzagão” que ronda deliciosamente muitas das canções da dupla. Estão ali a estrada, o sertão, o fogão rústico, a lagoa e sempre alguém a esperar. Aqui não avaliamos o lado dramático tão comum na música caipira original porque esse departamento está desativado, aguardando sua vez.

Victor e Leo é pra quem está de bem com a vida ou para quem está querendo chegar lá.

“Boa Sorte Pra Você” é para as novas gerações de brasileiros que buscam os valores que definirão a estética dos próximos muitos anos.

Canções de felicidade são e sempre serão o melhor caminho.

Na trilha de Tião Carreiro


Enquanto os jovens consomem cada vez mais música sertaneja, fazendo com que diversas duplas tentem agradá-los cada vez mais, acaba acontecendo certo distanciamento de grande parcela do público, aquele de classes mais baixas, tradicionalmente o público de música sertaneja.

É essa brecha que alguns artistas miram, e esse assunto vai ser tratado por aqui ao longo de alguns textos.

No de hoje, um estilo que vem crescendo lentamente, e que traz consigo a presença constante da tradicional viola caipira e a influência dos pagodes de viola.

Não se trata exclusivamente de uma tentativa de defender a cultura ou algo do gênero, pois a visão é tão comercial quanto qualquer outra. A diferença é que o caminho seguido faz questão de não se desprender do que é do passado, o que pode vir a funcionar com um público bastante abrangente.

A aposta é em um estilo mais popular, mais de massa, que tem a intenção de ser aceito também pelas pessoas que não compraram e não vão comprar o “novo sertanejo”.

A dupla João Carreiro e Capataz, por exemplo, já não é mais uma novidade. Apesar de os grandes centros ainda não adotarem a dupla como de primeiro escalão, os interiores do Brasil já a  coloca em patamares mais elevados.

Os cantores levaram a frente o apelido que receberam de “brutos”, termo que apesar de não ter sido usado por Tião Carreiro, define grande parte de suas composições machistas ou de teor intolerante, encaradas sempre com bom humor por quem as ouvia.

O estilo da dupla mantém o teor das letras e o ritmo do pagode de viola, mas quase sempre com um arranjo mais pesado, com guitarra e bateria.

Em uma matéria do “Estadão” de setembro, que falava sobre João Carreiro e Capataz, o produtor Carlos Miranda, conhecido por muita gente por sua participação de jurado em programas do SBT, deu a seguinte declaração sobre o trabalho da dupla:

“É um milhão de vezes mais interessante do que todas as duplas sertanejas ditas universitárias. Eles estão na contramão. Sabem usar a raiz muito bem e ao mesmo tempo modernizam com uma pegada forte.”

A visão, concordando ou não com ela, parte de alguém que não vive o ambiente sertanejo e é formado no universo pop/rock, acostumado a ver o sobe e desce de estilos que atingem em cheio os jovens, como faz a música sertaneja hoje.

Quem vem na cola, após um bom tempo sumidos, são os irmãos Mayck e Lyan, que agora sob investimento e amparados pela EMI, vem com o intuito, enfim, de disputar espaço no atual mercado, e não ficar apenas como dupla tocadora de moda antiga, como se fez a imagem dos rapazes enquanto personagens do programa do Raul Gil.

Apesar de o CD/DVD novo trazer diversas regravações de pagodes, um estilo muito semelhante ao de João Carreiro e Capataz, mais pesado, foi adotado. Por causa do tom da voz, muito baixo, o estilo ficou mais parecido ainda, como pode ser conferido na música “Pede pra voltar”, publicada ao final desse texto.

A primeira faixa desse novo trabalho é uma regravação de Zé Mulato e Cassiano, “Sangue Novo”, que traz algumas frases “proféticas”, que são, no fundo, um tipo de provocação muito comum nas letras de pagodes de viola, mas que acabaram com o tempo mostrando que tinham um fundo de verdade.

“Quem apostou na derrota de ver a viola morrer/ Hoje foge igual coelho e vai voltar de joelho/ Se quiser sobreviver”

“Disse o falso sertanejo que a viola já era/ Os amigos da panela se fecharam numa esfera/ Sem a benção da viola nenhuma moda prospera”

Apesar de não haver nenhuma indisposição entre duplas e estilos, é nesse embate “tradição versus novo” que reside a aposta de quem segue por esse caminho.

Ainda se ganham espaço nesse meio mais “bruto”, apesar de transitarem bastante no que se chama de sertanejo “moderno”, nomes como Jads e Jadson, os brasilienses Pedro Paulo e Matheus, que já tocam nas principais rádios dos grandes centros, e Munhoz e Mariano, mais uma dupla da interminável safra de Campo Grande, que recentemente esteve no programa do Faustão e começa a ganhar nome das festas pelo país.

*Em tempo: Tião Carreiro, ao lado de Lourival dos Santos, é o inventor do “Pagode de Viola”.

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No próximo texto sobre o tema, os caminhos distintos que as duplas estão seguindo, tentando prever o que vem pela frente. Quem puder, vale a pena escutar os recém-lançados CD’s de Victor e Leo, Jorge e Mateus e Bruno e Marrone, ambos sintomáticos.

Nascemos pra cantar


Comentei semana passada que Victor e Leo haviam regravado “Nascemos pra cantar” em seu novo CD, como forma de homenagem a Chitãozinho e Xororó.

O CD, quase todo acústico, foi lançado nessa sexta-feira, e quem ficou curioso para ouvir a versão de Victor e Leo, pode conferir clicando sobre o tocador abaixo.