universo_sertanejo A ressaca em 2017 e o cenário para 2018

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É unânime que 2016, ano retrasado, foi das mulheres.

Elas tomaram o mercado de shows, os programas de TV, a mídia como um todo.

Dizer “o ano das mulheres”, no entanto, pode nos atrapalhar a entender e a explicar aos outros o que foi realmente 2016.

Esqueça, por um momento, que Marília Mendonça, Maiara e Maraísa, Simone e Simaria e Naiara Azevedo são mulheres. Pense apenas que são quatro nomes.

Em pleno 2016, com todo aquele papo de que “agora o sertanejo cai”, surgem quatro nomes novos, quatro projetos para concorrer lá em cima com os medalhões.

Essa breve introdução serve para tentar explicar 2017. Colocando a crise financeira do país de lado, que atrapalhou o mercado de shows, houve uma espécie de retração artística. Em uma linguagem mais popular, foi uma ressaca. De forma mais pomposa, houve uma correção no gráfico.

Como 2017 poderia superar 2016? Não haveria jeito, o recuo era inevitável. Foi um dos poucos anos em que ninguém estourou.

Como funk ressurgiu de maneira mais bem estruturada, o baque pareceu maior.

A palavra “ressaca” cai muito bem pra resumir o ano passado. É aquele dia seguinte em que você está de cabeça pesada, lento, sem saber muito o que fazer e fica esperando as horas passarem pro dia acabar logo.

Será que houve algum ano, de 2003 pra cá, em que ao menos quatro artistas saíram de um patamar quase desconhecido para o sucesso nacional? Com tamanha intensidade, creio que não.

Depois do atropelo que foi a ascensão feminina, repare que nenhum artista conseguiu produzir o melhor disco da carreira. Foram lançados álbuns interessantes no ano passado, mas dificilmente algum que vai ficar na sua memória por muito tempo.

Até mesmo o Top10 de 2017, que pode ser conferido aqui, não teve o apelo de outros anos. É um pouco insosso, sem canções que vão mudar alguma carreira.

O ano de 2018 promete ser melhor. Toda pessoa ligada em sertanejo tem uma aposta aqui ou ali. Já citei Diego e Arnaldo, um leitor falou de Diego e Victor Hugo, a Folha citou Lauana Prado e Luiza e Maurílio.

Há uma dança interessante das cadeiras entre os produtores, artistas consagrados buscando novos ares e escritórios repensando o modelo de negócio.

Vamos acompanhando.

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5 Comments

  1. Provavelmente esse ano vai ser pior ainda, incrível como funk esta se estruturando, o pop renascendo com anitta e pabllo vittar,um44k. Esses estilos tem uma coisa que o sertanejo nunca tera, um tipo de volatidade musical, eles podem transmutar entre estilos, anitta em um mesmo ano fez pop,bossa nova, funk,reggaeton e ela não perde fãs com isso, pelo contrário, só ganha. Qualquer mudança em um arranjo sertanejo os mais conservadores já ficam malucos, e quando alguém acerta como foi o caso de cleber e cauan ano passado com o reagge de quase, vários artistas começam a copiar e isso vira uma avalanche ate saturar o mercado, acredito que o que vai acontecer é quase o mesmo que rolou com country nos EUA, o sertanejo vai voltar pras capitais sertanejas como goiania,londrina,campogrande, e os artistas sertanejos que tiverem essa volatidade musical que citei acima como, lucas lucco, luan santana, simone e simaria entre outros, conseguiram se manter no mainstream

  2. Boa noite,

    Minha sensação sobre o universo sertanejo de 2017 é bem diferente da sua, é claro que falo apenas como um consumidor desses produtos e não tenho nenhum aspecto profissional com relação ao universo da música.

    Como consumidor do sertanejo desde 2007 quando estourou toda essa formada de novos artistas, achei o ano de 2016 muito mais difícil de engolir do que 2017. Não que eu não goste das mulheres do sertanejo, gosto de todas elas, foram o grande momento de 2016, mas parecia que não existia mais nada além disso. O sertanejo que estávamos acostumados parecia ter acabado e agora o sertanejo seria cantado e direcionado as mulheres, com musicas bem alinhadas com o universo feminino e a vivencia das mulheres nos relacionamentos.

    Acredito que 2017 trouxe mais força pro universo sertanejo do que o ano anterior, primeiro por que consolidou as mulheres que haviam aparecido, e também mostrou a força de vários artistas que haviam perdido seu brilho no ano das mulheres.

    Acho que foi um ótimo ano pra música sertaneja, com Henrique e Juliano, Gusttavo Lima, Luan Santana, Zé Neto e Cristiano, Jorge e Mateus por exemplo mantendo um grande sucesso, lançaram álbuns excelentes que tocaram o ano inteiro o mostraram que os nossos artistas não são DESCARTÁVEIS, todo mês tem um cara novo. Sem falar no Eduardo Costa e Leonardo que tocaram demais no primeiro semestre.

    Tenho muito mais desconfiança de anos em que lançam vários artistas novos, acho isso muito mais frágil, do que um ano em que os artistas já conhecidos mantiveram seus sucessos.

    Esse ano renovou minhas esperanças na música sertaneja com músicas como “Vidinha de Balada”, “Cadeira de Aço”, e outras que estão na lista que você colocou.

    A crise existe e isso faz com que o investidores arrisquem menos, em novos nomes, mas também obriga os artistas que já estão no mercado a correrem atrás com mais afinco, lançando trabalhos mais cuidadosos e mais elaborados…

    O crescimento do Funk faz com que o sertanejo se reinvente novamente, com várias músicas que misturam os dois estilos como já aconteceu em anos anteriores, na época do Eu quero Tchu e sou phoda. Tem surgido coisas interessantes dessa mistura e foi dessa forma, engolindo todos os estilos, que o sertanejo domina completamente o mercado a pelo menos 10 anos…

    Ouvindo um playlist sertaneja você encontra vários “Axés”, Pop Rock tem demais, e agora o Funk retorna e não me parece ser um obstáculo mas sim mais um desafio para os artistas que se reinventam e se mantem nas playlists dos jovens.

    O excesso de lançamentos de novas duplas enfraquece a consolidação de vários artistas e consequentemente do mercado, principalmente por que estoura um, logo em seguida surgem três ou quatro duplas completamente iguais ao grande sucesso e dividem a atenção e o mercado.

    Minha opinião, caso esteja falando besteira, gostaria que você pudesse me esclarecer melhor as coisas.

    Obrigado.

    • Vc escreveu esse trecho: “Tenho muito mais desconfiança de anos em que lançam vários artistas novos, acho isso muito mais frágil, do que um ano em que os artistas já conhecidos mantiveram seus sucessos” que é muito importante. Realmente é frágil, concordo, mas infelizmente o mercado precisa de gente nova. As pessoas (aquela massa consumidora que faz as festas andarem) não repetem um show três vezes. Quanto sua visão geral, acho bacana, mesmo que não concorde com tudo acho legal quem gosta de olhar o contexto geral. Acho que essas discussões são sempre positivas.

  3. Fábio Roque Reply to Fábio

    Cadê o top 10?

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