Os 10 melhores discos de 2010

Como anunciado aqui, a lista feita pelos leitores do Universo Sertanejo não seria baseada em competição de quem conseguisse dar mais votos ou organizasse campanhas de votação.

A intenção é de que as pessoas que frequentaram o blog durante todo o ano tivessem sua opinião retratada nessa lista.

Houve quem comentasse mais de uma vez com diversos nomes diferentes, e isso recebeu a atenção devida.

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-Discos que ficaram para o ano que vem, por causa da data de lançamento: Chitãozinho e Xororó com a nova geração, Fernando e Sorocaba (Bola de Cristal), João Neto e Frederico (Só modão) e Maria Cecília e Rodolfo (Ao Vivo).

-CD’s bastante votados que não entraram na lista: Michel Teló (Ao Vivo), Marcos e Belutti (Nosso Lugar), Edson (Edson e você) e Zé Henrique e Gabriel (Tá tudo OK).

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Descontando injustiças que toda lista traz, abaixo seguem os 10 melhores discos de 2010, eleitos pelos leitores do Universo Sertanejo. Em seguida, os meus cinco melhores.

Creio que a maior ausência seja do “Raízes”, do Daniel. No entanto, como se trata de um trabalho bem do início do ano, creio que muita gente tenha o deixado passar batido, já que a qualidade do trabalho é indiscutível.

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10. Guilherme e Santiago

Após saírem do programa da TV “Terra Nativa”, a dupla precisava emplacar algum sucesso para aproveitar a visibilidade. Isso não aconteceu e muita gente desanimou com a dupla. Até que, no começo desse ano, os irmãos lançaram uma tal de “E daí”. A música e o CD mudaram a trajetória da dupla, que após 15 anos no mercado, atingem seu melhor momento.

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9. César Menotti e Fabiano – Retrato

O álbum veio com o desafio de dar continuidade ao sucesso de “Ciumenta”, e a aposta para isso foi “Labirinto”, canção já conhecida no meio. Em seguida, a canção “Retrato”, que deu nome ao disco, foi trabalhada. A tiragem inicial do disco rendeu “disco de ouro” para a dupla, que já trabalha no repertório de um novo projeto.

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8. Zezé di Camargo e Luciano – Double Face

O álbum duplo de Zezé e Luciano trouxe, de fato, “duas faces” da dupla. Uma atual, com baladinhas e músicas mais “atuais”, como “Tapa na cara” e “Tão linda e tão louca”, e outra “bruta”, com modões de letra sofrida no melhor estilo Trio Parada Dura e Milionário e José Rico. O álbum saiu com a pretensão de superar as 400 mil cópias vendidas, dado que poderá ser conferido no início do ano que vem.

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7. João Carreiro e Capataz – Xique Bacanizado Ao Vivo

Além de músicas boas, o CD/DVD foi importante para os sertanejos perceberem que a palavra “formato” está perdendo a utilidade. Algumas letras da dupla são grosseiras, usam palavrões, e várias canções não trazem refrões fáceis. Por não ser um trabalho exatamente comercial, algumas barreiras ainda são grandes, como tocar em rádios FM, mas o sucesso que a dupla tem atingido mesmo assim, prova que o público sertanejo é tão abrangente quanto numeroso.

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6. João Bosco e Vinícius – Coração Apaixonou

O CD/DVD é baseado nos sucessos mais recentes da dupla, com destaque para o álbum “Curtição”. A opção foi por celebrar canções que não haviam saído em nenhum DVD, como “Chora, me liga”, por exemplo. O grande destaque do trabalho foi “Sem esse coração”, que fechará o ano como uma das canções mais tocadas. No final do ano, foi lançada a música “Chuva”, que não faz parte do “Coração Apaixonou”.

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5. Bruno e Marrone – Sonhando

Álbum que traz “Sonhando” e “Tentativas em vão”. É o disco mais controverso lançado pela dupla, já que tem um perfil muito mais “atual” de música sertaneja. Produzido por Márcio Kwen, responsável também pelo “De volta aos bares”, “Sonhando” foi disco de ouro logo na semana de seu lançamento.

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4. Fernando e Sorocaba – Acústico

Trabalho, também lançado em DVD, que teve “Madri” como grande sucesso. O projeto foi pensado como algo modesto, que prepararia os fãs para um DVD maior. Resultado: tornou-se o trabalho mais importante da carreira da dupla.

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3. Victor e Leo – Boa sorte para você

Lançado em novembro, a canção que dá nome ao disco vem sendo trabalhada nas rádios desde outubro. Ao mesmo tempo, diversas rádios resolveram apostar em “Rios de amor”, canção que faz parte da novela Araguaia. É um disco muito diferente de seu antecessor, o que acarretou em longas discussões mesmo entre os fãs.

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2. Luan Santana – Luan Santana Ao Vivo

A primeira grande produção do artista mais importante do ano. O repertório é muito variado, muito pelo fato de que era preciso entender de quem era, de fato, o público do Luan. Na lista das canções, as que se destacam são “Meteoro” e “Você não sabe o que é amor”. O novo CD/DVD, gravado agora em dezembro, é mais focado e com repertório bastante superior.

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1. Jorge e Mateus – Aí já era

Várias canções do CD já eram cantadas antes de o trabalho chegar às lojas. O álbum nem teve tempo de repercutir ainda, mas venceu aqui com muita folga, com votos vindo de leitores fiéis, que não são fanáticos pela dupla, mas que reconheceram a qualidade do disco. Do “Aí já era”, faz parte a canção “Amo noite e dia”, um dos principais destaques do segundo semestre. Nesse final de ano, a música de trabalho é “Chove, chove”. Para o ano que vem, a romântica “Aí já era” é aposta de muitos para figurar em alguma trilha de novela.

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A quem se interessar, segue abaixo minha opinião seguida de alguns palpites. Curiosamente, cada CD foi feito por um produtor diferente (em ordem: Guto Graça Mello/Victor, Sorocaba/Ivan Miyazato, César Augusto, Pinocchio e Dudu Borges).

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5. Victor e Leo – Boa sorte para você

Dos cinco discos escolhidos por mim, quatro possuem uma característica em comum: a de seguirem por um caminho que ninguém esperava. O álbum “Boa sorte para você” conseguiu desagradar até quem é fã, mas fez com que a dupla reforçasse a ideia de que não está presa a nenhum estilo e que permanece, como sempre, fugindo de rótulos. O trabalho é basicamente todo acústico, e pouco lembra o disco anterior, “Victor e Leo ao vivo”. A música sertaneja mais tradicional está presente na maioria das canções, em um momento no qual os artistas quebram a cabeça para saber como lidar com essa tal “onda pop” na música sertaneja. “Boa sorte para você” mostra uma dupla muito mais preocupada com a carreira do que com o sucesso instantâneo, o que os destaca cada vez mais na história recente do sertanejo.

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4. Fernando e Sorocaba – Acústico

Esse acústico só não disputa a ponta por não ser inteiramente inédito. A dupla que mais cresceu esse ano, baseou-se em um CD em formato dito “ultrapassado”, e ajudou a confundir mais ainda quem corre atrás de alguma fórmula. Quem conhece o repertório de Fernando e Sorocaba, acharia um CD acústico completamente fora de mão, mas foi justamente o que eles fizeram. Reuniram as canções mais famosas, incluíram 4 músicas novas (“A casa caiu”, “Celebridade” e “Madri” e “Até o final”), gravaram um DVD e, no final das contas, o trabalho que nasceu como projeto paralelo e modesto, se tornou o maior álbum da carreira deles.

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3. Zezé di Camargo e Luciano – Double Face (CD 1)

Foi a grande sacada dos irmãos nos últimos 10 anos. Em vez de regravações só de grandes sucessos, Zezé baseou o repertório em músicas que eram de seu gosto. O álbum traz 15 modões no estilo anos 70/80, na qual as letras e as interpretações dramáticas tiveram seu auge. Os arranjos não sofreram grandes alterações, e o público mais tradicional, bastante esquecido pelo mercado, ganhou um presente.

O disco venceu o Grammy esse ano, e curiosamente, apesar de tantas voltas que o sertanejo está dando, o prêmio foi para as mãos do produtor César Augusto, vinte anos após vender 3 milhões de discos com  apenas um álbum de Leandro e Leonardo.

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2. Guilherme e Santiago – Tudo tem um porquê

Dos álbuns de sucesso esse ano, é um dos menos badalados. A dupla não é da nova geração, e talvez por isso não haja tanto holofote sobre ela. O CD/DVD “Tudo tem um porquê” teve uma gravação extensa (mais de 3 horas), e trouxe apenas canções inéditas. Na banda, Pinocchio estava na sanfona e Ivan Miyazato nos violões. Pelos nomes de peso, era de se esperar um trabalho de ponta, mas mesmo assim o mercado se surpreendeu. Chegou 2010 e veio “E daí”. Em seguida, “Tá se achando”. Logo depois, “Que dá vontade dá”. Fora das rádios maiores, “Mete sua boca na minha”, “Eu tô pra lá de Bagdá” e “Solteiro sim, sozinho nunca” entraram entre as mais tocadas. Aquele CD que muitos pensaram ser apenas mais um, possuía o grande hit de 2010.

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1. Jorge e Mateus – Aí já era

Pelo segundo ano seguido, coloco um CD do Jorge e Mateus como o melhor. Alguém pode apontar exagero, mas a opinião é baseada em um ponto específico: repertório. Ninguém da nova geração conseguiu ser tão constante nesse aspecto como Jorge e Mateus. O que se vê de prováveis hits do disco, se via também nos dois álbuns anteriores. A dupla mudou de produtor, foi para as mãos de Dudu Borges, responsável pelo CD “Curtição” do João Bosco e Vinícius, que trazia “Chora, de me liga”. As mudanças no estilo dos arranjos são nítidas até para quem não é muito próximo ao assunto, e mostram que a dupla também decidiu não acomodar com o sucesso. Não foram poucas as críticas surgidas por “mexer em time que está ganhando”, mas é mais um passo adiante, já que a dupla tenta se aproximar cada vez mais do que gosta, deixando de se preocupar exclusivamente com o que o mercado espera.

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