Ah, Domingo…[43]

Antes de tudo, aproveito para anunciar que nos próximos dias, conto uma novidade muito boa envolvendo o nome de Tião Carreiro.

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Algo que aproxima todas as gerações da música sertaneja, é o fato de Tião Carreiro sempre ter sido lembrado.

Todas as duplas, de todas as épocas, já cantaram ao menos uma música do Tião Carreiro em seus shows ou em seus discos, e isso inclui a geração atual de cantores.

O que complica um pouco, no entanto, é que raramente se regrava uma canção inteira, criou-se o costume de pegar um ou dois versos e juntar com outros versos de outras canções.

Uma das músicas mais atemporais já compostas pelo Tião, “A vaca já foi pro brejo”, chegou aos ouvidos dos jovens de hoje através de Jorge e Mateus, que regravaram um trecho dela.

O que impressiona na canção, é que ela consegue ser atual do começo ao fim, e ao que tudo indica, seguirá anos e anos fazendo todo o sentido.

O vídeo abaixo, com a música completa, traz justamente essa música. Segue a letra junto, para quem quiser acompanhar.

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A vaca já foi pro brejo
(Tião Carreiro/Lourival dos Santos/Vicente P. Machado)

Mundo velho está perdido
Já não endireita mais
Os filhos de hoje em dia já não obedece os pais
É o começo do fim
Já estou vendo sinais
Metade da mocidade estão virando marginais
É um bando de serpente
Os mocinhos vão na frente, as mocinhas vão atrás

Pobre pai e pobre mãe
Morrendo de trabalhar
Deixa o coro no serviço pra fazer filho estudar
Compra carro a prestação
Para o filho passear
Os filhos vivem rodando fazendo pneu cantar
Ouvi um filho dizer
O meu pai tem que gemer, não mandei ninguém casar

O filho parece rei
Filha parece rainha
Eles que mandam na casa e ninguém tira farinha
Manda a mãe calar a boca
Coitada fica quietinha
O pai é um zero à esquerda, é um trem fora da linha
Cantando agora eu falo
Terreiro que não tem galo, quem canta é frango e franguinha

Pra ver a filha formada
Um grande amigo meu
O pão que o diabo amassou o pobre homem comeu
Quando a filha se formou
Foi só desgosto que deu
Ela disse assim pro pai: “quem vai embora sou eu”
Pobre pai banhado em pranto
O seu desgosto foi tanto que o pobre velho morreu

Meu mestre é Deus nas alturas
O mundo é meu colégio
Eu sei criticar cantando, Deus me deu o privilégio
Mato a cobra e mostro o pau
Eu mato e não apedrejo
Dragão de sete cabeças também mato e não alejo
Estamos no fim do respeito
Mundo velho não tem jeito, a vaca já foi pro brejo

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