Universo Sertanejo

DESTAQUES

E se as duplas acabassem?


Até o final da década de 1990, um cantor solo fazer sucesso na música sertaneja era missão quase impossível, apesar de sempre existirem exceções para confirmar a regra, como o Sérgio Reis, por exemplo.

Existem algumas histórias – a maioria muito fantasiosa – que explicam o porquê de se cantar música sertaneja em dupla desde o começo da história do gênero.

A que parece mais realista, é a que diz que a prática vem das cantorias de “Folia de Reis”, influência portuguesa na qual se cantava em grupos, então era possível se fazer diversas vozes, e não apenas a primeira voz.

Tanto é que sempre existiram grupos sertanejos, apesar do predomínio das duplas.

Foi só na década de 2000 que houve uma abertura, com o surgimento do Eduardo Costa. Não cito o Leonardo e o Daniel como referências, pelo fato de ambos terem ficado conhecidos quando cantavam ainda em dupla.

Com a música sertaneja mais simplificada a cada década com o intuito de ter um público mais amplo, o casamento de vozes foi tendo sua importância reduzida lentamente, com a segunda voz cada vez mais escondida. O surgimento de artistas solo é uma resposta direta a isso.

Comercialmente falando, Luan Santana é o maior exemplo de que cantar sozinho já é realidade. O iminente sucesso do Gusttavo Lima, se concretizado, virá como um reforço, ainda mais pelo fato de fazer um estilo diferente do Luan.

A aposta da Universal Music em Dablio Moreira, que interpretou Zezé di Camargo no cinema, e da Som Livre, em Adair Cardoso, que tem a música “Que se dane o mundo” na Malhação, também são bons exemplos do que pode vir pela frente.

Se alguém quiser argumentar que eles são cantores “teen” – o que não é verdade -, a resposta está em Edson, ex-Hudson, e no Rick, que se separou do Renner.

Das grandes separações que assistimos até hoje, todas deram errado. A coragem dos dois cantores em separar a dupla e não procurar outro parceiro mostra bem a realidade atual.

Fora o que já foi citado, o número de cantores solo investindo no sertanejo é imensa, quem trabalha no meio e recebe CD’s constantemente sabe que isso que mais do que uma realidade.

Pode ser que a gente chegue a uma situação – isso já pode ser visto em algumas situações -, que a importância de se cantar em dupla seja muito mais pelo fato de que dois rapazes chamam mais a atenção do que um, do que propriamente uma questão musical.

Já que na música sertaneja é possível se denominar década por década desde sua origem, a próxima pode ser a dos cantores solo, o que a transformaria em uma das mais importantes.



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Programa Universo Sertanejo #48


Fala, pessoal.

Entrou no ar, ontem, a quadragésima oitava edição do programa Universo Sertanejo, na Rádio UOL.

Esse programa foi gravado em Dourados-MS, e contou com a participação da dupla Maria Cecília e Rodolfo.

Conversei com eles basicamente sobre música sertaneja, nos moldes que a gente já está acostumado no programa.

Como vocês poderão reparar, o áudio de todo o programa foi gravado em um celular, maravilhas da tecnologia

Na seleção musical do programa, algumas canções do projeto “Chitãozinho e Xororó 40 anos – Nova Geração”, lançado na semana passada.

Para ouvir, clique na imagem abaixo.

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01. Chitãozinho e Xororó com Luan Santana – “Pode ser pra valer”
02. Jorge e Mateus – “Mil anos”
03. João Neto e Frederico com João Carreiro e Capataz – “A melhor do Brasil”
04. Guilherme e Santiago – “Que dá vontade, dá”
05. Zezé di Camargo e Luciano – “Apaixonite aguda”
06. Maria Cecília e Rodolfo – “O troco”
-Entrevista com Maria Cecília e Rodolfo
07. Maria Cecília e Rodolfo – “Três palavras”
08. Chitãozinho e Xororó com Maria Cecília e Rodolfo – “Meu disfarce”



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Algumas notas


-Nova Geração

Chegou às lojas, essa semana, o CD/DVD “Nova Geração”, de Chitãozinho e Xororó ao lado de vários nomes do novo sertanejo. É daqueles que vale a pena comprar. Aos curiosos, alguns vídeos e músicas foram postadas no YouTube.

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-Reveillón na Paulista

A dupla Zezé di Camargo e Luciano e o grupo Barra da Saia são os sertanejos confirmados no tradicional reveillón da avenida Paulista, em São Paulo.

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-Esgotado

O Cruzeiro da dupla Jorge e Mateus, marcado para fevereiro, já está com as cabines esgotadas desde a semana passada.

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-Daslu

Jorge e Mateus voltam a se apresentar, no próximo dia 14, na Daslu. O show reforça, mais uma vez (com o perdão da redundância), a preferência das classes mais altas pela dupla.

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-Nas lojas

O novo DVD de Maria Cecília e Rodolfo, gravado em São Paulo e que contou com a participação do Exaltasamba, já chegou às lojas. Nessa semana, entrou em pré-venda o primeiro CD de Israel Lucero, vencedor do Ídolos.

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-Guto e Nando

Dias atrás, comentei aqui que a dupla Guto e Nando estava separada desde o meio desse ano. Na semana passada, eles anunciaram a volta. Há um vídeo no YouTube no qual eles falam dessa retomada da carreira. Quem quiser, pode conferir abaixo.



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Chega ao fim a dupla Rick e Renner


Após mais de 20 anos cantando juntos, Rick e Renner se separaram.

A decisão partiu de Rick, após o parceiro ter se ausentado de diversos compromissos nas últimas semanas, reservadas para a divulgação do recém lançado trabalho, “Happy End”.

Os boatos de uma possível separação correram durante todo o ano, mas os motivos eram outros, como o disco lançado por Rick ao lado de seu filho, Victor, e a candidatura de Renner ao Senado.

As canções que estavam sendo trabalhadas nas rádios já foram cortadas, e no ano que vem, Rick se lançará solo, com um projeto provisoriamente chamado “Rick Sollo”. Ontem pela noite, mesmo, já foi feito um twitter com esse nome (@ricksollo).

No último final de semana, o cantor já se apresentou sozinho, mas a separação ainda será oficialmente anunciada.

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Quanto ao motivo das ausências do Renner, vou deixar para comentar apenas quando eles próprios resolverem falar.



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A pirataria que fez bem


O UOL Notícias pediu que os blogueiros do UOL fizessem um texto abordando um assunto importante que marcou a última década, cada um escrevendo sobre sua área de atuação.

Meu texto segue abaixo.

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A pirataria que fez bem

Há uma lista enorme e bastante divulgada de consequências negativas que a pirataria trouxe para o meio musical, sem contar o fato de que ela é crime previsto por lei.

Compositores, editoras e gravadoras foram prejudicados.

No entanto, por mais politicamente incorreto que seja dizer isso, a música sertaneja deve muito à pirataria. Talvez mais até do que se imagina.

Ainda na década de 1990, os piratas já tinham sua parcela de importância, que pôde ser comprovada no momento em que começaram a lançar discos antes mesmo das gravadoras distribuírem para as lojas.

No entanto, foi nos anos 2000 que, pelo barateamento na produção de um CD pirata, houve uma ascensão incontrolável desse mercado paralelo.

O disco mais importante para os últimos 10 anos foi “Bruno e Marrone – Acústico”, projeto que teve início em 1999.

O trabalho não foi um lance de gênio de nenhum artista ou gravadora. Após uma apresentação em uma rádio de Uberlândia, o áudio foi parar nas mãos dos piratas. Nessa apresentação, a dupla cantava diversos sucessos sertanejos.

O CD com essas músicas teve tanta repercussão que a dupla gravou um álbum no mesmo formato. Com ele, o país passou a conhecer uma das maiores promessas da música sertaneja até então.

Já havia ficado impossível competir com o poder de distribuição dos piratas, o que foi ocasionando o fechamento da imensa maioria das lojas de discos por todo o Brasil.

Apesar de bradarem contra a pirataria de discos, os sertanejos já haviam assimilado muito bem a importância dessa prática.

O principal produto vindo desse meio foi Eduardo Costa. Como todo mundo sabe, havia uma rejeição imensa com ele pelo fato de cantar parecido com o Zezé di Camargo. Tamanha era a semelhança, que seus primeiros discos, gravados em uma qualidade muito baixa, foram vendidos como “Zezé di Camargo Acústico”.

Como comentado aqui em uma matéria no começo do ano, ele era considero anti-mercado. Cantava sozinho, gritava demais, apostava em um estilo  musical considerado ultrapassado e carregava essa “acusação” de simples imitador.

E sem nenhuma mídia, ele deu certo.

Lembro que quando a Universal o contratou e lançou seu primeiro DVD, era missão difícil encontrar o trabalho nos camelôs, de tanta saída que tinha. Ele não era só um cantor do povo, mas sim uma cria do povo.

Outro disco que andou sozinho pelas mãos dos piratas foi “Matogrosso e Mathias – 25 anos”, um CD acústico que trazia os grandes sucessos da dupla, que apesar de toda sua importância para a música sertaneja, já não recebia investimentos de gravadoras.

A repercussão do trabalho foi tão positiva que marcou uma das melhores épocas em relação a dinheiro para os cantores, já que o número de apresentações aumentou e a estrutura do show era pequena, pelo fato de ser acústico.

Mesmo com certo grau de crueldade, a música sertaneja, hoje, não seria o que é se não fosse a pirataria.

Até mesmo Luan Santana, hoje amparado por toda a estrutura da Som Livre, rodou o país pelas barraquinhas de CD’s, apesar de ser de uma geração que pegou uma internet já bastante desenvolvida.

Internet que, por sua vez, foi acabando com os piratas.

Mesmo com todo o mal que fez para o mercado fonográfico, a pirataria foi fundamental para o crescimento contínuo da música sertaneja. Se nos anos 1990, as duplas estouraram sob investimento das gravadoras, dez anos depois foi a vez dos piratas cuidarem delas.

É ruim, lamentável e até vergonhoso que o país tenha deixado chegar a esse ponto, mas a realidade é que a última década, para a música sertaneja, foi a década da pirataria.



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Vídeo de João Neto e Frederico com Fernando e Sorocaba


A dupla João Neto e Frederico prepara o lançamento do DVD “Só Modão”, e o primeiro vídeo desse trabalho pode ser conferido aqui.

Ao lado de Fernando e Sorocaba, a dupla canta “Tocando em Frente”, canção postada recentemente por aqui.

O DVD foi gravado em junho, na cidade de Goiânia, e ainda contou com a participação de Eduardo Costa e de João Carreiro e Capataz.



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E a Record vem aí


No ano passado, a Record levou ao ar o especial “Ressoar”, gravado durante um show em Uberlândia. Segundo as notícias que correram na época, os artistas que autorizaram a exibição do show para a Record, foram boicotados na Globo.

Um ano depois, a programação de dezembro da Record volta a destacar os sertanejos.

Dia 25 de dezembro, será exibido o programa especial que narra a história de Chitãozinho e Xororó, interpretada por artistas da emissora. No dia 31 de dezembro, acontece a exibição do  DVD “Entre Amigos”, projeto gravado ao lado de Zezé di Camargo e Luciano, Leonardo, Milionário e José Rico, Rick e Renner, Daniel e diversos outros grandes nomes.

Com esse anúncio, o tão esperado reencontro dos “Amigos” acontecerá, mais de uma década depois, na Record.

O DVD “Entre Amigos” estava com lançamento programado só para o ano que vem, mas estão tentando adiantar ainda para esse ano.

Na semana passada, saiu a notícia, pelo Flávio Ricco, de que a Record e a Universal Music vão investir em artistas do novo sertanejo, fazendo algo semelhante ao que a Som Livre faz em parceria com a Globo.

Há ainda notícias de outros projetos envolvendo o nome de Chitãozinho e Xororó na emissora.

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*O CD/DVD do Chitão e Xororó gravado ao lado da nova geração já saiu, e as músicas todas já foram postadas no YouTube e afins.



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O vídeo surreal do ano


O que acontece no vídeo abaixo e tão absurdo e engraçado ao mesmo tempo, que fica difícil comentar algo antes que vocês assistam.

Victor e Leo participaram do programa do Datena, na semana passada.

A dupla estava fazendo programas de rádio no prédio da BAND, em São Paulo. As rádios ficam um andar acima do estúdio do apresentador.

Faltando alguns minutos para acabar o “Brasil Urgente”, a dupla entrou no ar.

Datena parecia estar um pouco nervoso com o fato de uma das rádios ter tomado tempo demais da dupla e atrasado o cronograma de seu programa.

Quando Victor e Leo entraram, foi um desfile de perguntas inusitadas e com um bom grau de rispidez.

Victor, que parecia estar incomodado com os acontecidos, levou a situação mais na esportiva do que de costume.

Assistir ao vídeo é quase obrigação, já que no final, o Victor ainda imita o Datena, que por sua vez, dança enquanto a dupla canta.

Para resumir o vídeo em uma palavra: inexplicável.



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Mais uma história das boas


Mais uma história boa envolvendo um sertanejo, essa contada na última segunda-feira, no “Mais Você”, que teve o cantor Leonardo como convidado.

A história foi contada pela própria Ana Maria Braga.

A apresentadora estava internada para uma sessão de quimioterapia, tratando do câncer que todos devem se lembrar.

Eis que em certo momento, o Leonardo entra no quarto com um cooler cheio de cerveja debaixo do braço, senta ao lado dela e diz: “eu vim aqui passar o dia com você pra gente trocar umas prosas”.

Ana Maria disse que ele foi a única pessoa do meio artístico que teve uma atitude dessas. As palavras dela, a relatar o acontecido, foram exatamente essas: “Foi o melhor dia daquela concentração, daquela vontade de viver. Ele fez minha vida diferente, ele não fez um dia diferente. Ele me fez acreditar que era possível.

A apresentadora contando essa história, ao lado do Leonardo, pode ser conferido clicando aqui. O vídeo é longo, mas o relato acontece logo no comecinho. Vale muito a pena conferir.



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Entrevista: João Carreiro e Capataz


Eles já foram tema de diversas postagens aqui, que tentaram mostrar uma outra linha de música sertaneja que também conquista público novo, baseada na utilização frequente da viola caipira.

João Carreiro, de 28 anos, e Capataz, de 32, misturaram a moda de viola a arranjos de rock, em uma tentativa de apresentar algo novo. A influência do rock na formacão musical de ambos é praticamente nula, a mistura foi apenas uma sacada que acabou dando certo.

Por opção, os dois cantores falam no linguajar caipira e cantam com erros de português, por achar que assim a música caipira estará representada de uma melhor forma.

São elogiados por diversos profissionais de dentro e de fora do gênero, por apostarem em algo diferente, distante da ideia “pop” que se tenta colar ao sertanejo.

Fãs e defensores da música de Tião Carreiro, João Carreiro e Capataz lançaram recentemente a canção “Roqueirinha”, que foi tão elogiada quanto criticada, justamente por se tratar de um rock, e não de uma moda de viola, como muitos esperavam deles.

Aos que não acompanham a música sertaneja e estão lendo o esse texto, fica aqui o registro de que a dupla é conhecida como “Os brutos do sertanejo”.

Faltava, aqui, uma entrevista com eles.

Estive com a dupla ontem, durante um show em Campinas-SP, e os pontos mais interessantes da conversa podem ser conferidos abaixo.

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Vocês fazem parte de uma nova geração de duplas, também começaram a tocar durante a faculdade, mas escolheram seguir por um estilo diferente de música, com mais referências aos pagodes de viola e ao estilo do Tião Carreiro, algo pouco comum entre as duplas da nova geração…

João Carreiro: A gente nunca planejou fazer algo de um jeito ou de outro, a gente foi fazendo o que gosta. Na realidade, logo no nosso segundo disco, nós já colocamos uma pegada pop rock que causou espanto no pessoal da viola caipira. Dentro da companheirada nossa de viola, o pessoal não gostou, então a gente também desagradou. O nosso som, querendo ou não, é o da viola caipira mais moderno. O que não muda na gente é o jeito de cantar, o jeito de cantar que vem do Tião Carreiro. Se eu cantar um rock, um reggae ou um samba, meu jeito de cantar vai ser sempre esse.

Colocar mais guitarra e fazer arranjos mais pesados vem de alguma outra influência de vocês? Vocês chegaram até a fazer uma regravação de “Exagerado”, do Cazuza.

João Carreiro: Nada, influência de nada. Nunca ouvi rock, só sertanejão mesmo. A mistura do poprock foi uma tentativa de por uma coisa nova e o negócio acabou dando certo. A única coisa que eu posso dizer que ouço fora desse nosso meio, é Raul Seixas. Então se você imaginar uma mistura de Tião Carreiro com Raul Seixas, a gente tá no meio.

Falando do meu lado de compositor, eu abri meu leque pra ter esse campo maior de composição pra não ficar bitolado.

Vocês acham que existe alguma chance de se formar um movimento com duplas, que faça o estilo de vocês, e que consiga conquistar grande parte desse mercado sertanejo de hoje, com o novo público de classe média e classe alta?

João Carreiro: Olha, que acho que sim, já tá até pegando. É difícil pegar o topo da pirâmide, esse topo é difícil mesmo, com a classe mais alta, com programas de TV mais elitizados. Só que o pessoal de faculdade e de boteco toca demais a gente. A gente tem um público muito fiel sem tocar em rádio, pois se você parar pra ver, a gente tem dificuldade de tocar em rádio FM, mesmo nos dias de hoje. Voz grave você não vê no mercado, não tem abertura, então é mais difícil.

Mas tocar em rádio grande hoje é mais questão de investimento…

Capataz: Sim, tem o poder financeiro, mas isso a gente não faz, não saímos comprando um monte de rádio aí pra enfiar nossa música goela abaixo. Nada contra quem faz, nada mesmo, todo mundo tem que correr atrás do seu trabalho e fazer do seu jeito, mas é que o que entra pra gente, a gente guarda, não gasta nisso não. Além do mais, nosso tipo de música não adianta forçar. Ou o caboclo gosta de viola ou não adianta.

Mesmo com esse estilo de tocar moda de viola com arranjos mais pesados, o maior sucesso de vocês é “Bruto, rústico e sistemático”, uma moda no estilo mais tradicional do Tião Carreiro. E assim como falavam de algumas canções do Tião, dizem que essa de vocês música é grosseira, preconceituosa, seja contra a mulher ou contra homossexual. Como vocês respondem a isso?

Capataz: Eu aprendi isso com o João Carreiro nessa nossa estrada. O compositor cria um personagem e a partir daí faz a história. Não é o João Carreiro falando, é um homem bruto falando, não tem que ficar explicando isso ou aquilo, isso é música, composição, o trabalho do compositor é assim.

João Carreiro: Eu falo mal do cara que tem tatuagem, mas eu também tenho tatuagem. Falo mal de cabeludo, mas sou cabeludo. Falo que minha filha caçula arrumou um namorado, mas minha filha tem 3 anos, sabe nem o que é isso. Deu pra entender que não tem nada a ver uma coisa com a outra? Falo de gay, mas olha só, canto até com um viado do meu lado, que é o Capataz.

Quem fala essas coisas não presta atenção. É que nem a nossa música nova, que um monte de gente se espantou por ser um rock, mas não parou pra entender.

A música é um rock e fala da sua paixão por uma roqueira, mas a viola não apareceu…

João Carreiro: É, é essa a história. E pessoal queria que eu falasse que tô apaixonado numa roqueirinha como, cantando uma moda de viola tradicional? Não. Eu fiz uma música sertaneja, só que em rock, justamente por causa da história. Cantada do meu jeito, composta do meu jeito, mas tocada de acordo com o que tem na música. Não tem que ficar preso sempre a uma coisa só.

Eu tinha curiosidade em ver o Tião Carreiro vivo hoje, pra ver o que ele ia falar de tudo isso que tá acontecendo e o que ele estaria gravando. O Tião gravou moda de viola, bolero, tango, samba e romântico, mesmo assim, nunca deixou e nem vai deixar de ser o maior violeiro que o Brasil já teve. Se o Tião fez isso, por que a gente não vai fazer?

Das várias fases da carreira do Tião Carreiro, você tem alguma preferida?

O Tião são várias coisas, né. Tem pro cara que gosta de moda bruta, pro que gosta de romântico, e eu gosto bastante das modas, se deixar a gente senta e canta cinco horas só de Tião, é o que a gente gosta. Se fosse pra falar de uma música específica dele que me agrada muito, é uma da fase romântica dele, chamada “Vim dizer adeus”, que já tinha outra estrutura de arranjo, já era bem mais apaixonada.

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Além de “Roqueirinha”, as canções “A melhor do Brasil”, gravada ao lado de João Neto e Frederico, e “É pra cabá”, são as músicas mais tocadas da dupla hoje nas rádios.

O “Carreiro” utilizado por João é em homenagem ao Tião.



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